Estado de Paz - 25
Obrigado pela tua companhia. Afinal não fomos feitos para estarmos sós, e assim é desde o tempo de Adão. Desde os primórdios, do tempo em que ainda não se contava o tempo nem havia história, na génese da criação de tudo o que é, que os elementos que conhecemos aparecem em conjuntos. Não surgiu apenas uma estrela, nem um só planeta, nem um só sistema solar, nem um só universo. Não surgiu apenas um homem, ou um macaco, ou um dinossauro. A diversidade dentro da existência não é feita apenas de uma unidade de cada espécie, de cada elemento, de cada ser, no entanto, cada unidade transporta em si o conceito do individual e do todo. Algures em si reside a consciência da sua natureza e da natureza de tudo, e a ligação de todos estes elementos, que por agora permanece como um mistério. Mas, à medida que mais e mais consciências vão despertando, vão sendo criadas as condições para novas descobertas e novas revelações, novos inventos, novas ideias, novas soluções. Aqueles que permanentemente procuram as respostas fora de si, e as soluções fora de si, e a responsabilidade da sua insatisfação fora de si, vão ter mais dificuldade em sair desta esfera de fuga. Felizmente, os que vão descobrindo que a solução dos medos mais profundos de cada um reside dentro de si próprios são cada vez mais. Quando se faz uma grande descoberta qual é o símbolo que se associa? Uma lâmpada, uma luz, “e fez-se luz”. Não é por acaso. Não existe maior descoberta que descobrir-se a si próprio, atingir a iluminação, ser um iluminado. E não há luz no Cosmos que tenha a função de brilhar apenas para si mesma. Na medida que mais luz vai surgindo menos lugares escuros existem para se esconderem os “papões” e os “monstros” que cada um cria derivado dos seus medos. A um passo de cada vez, mas em passos largos, nos damos conta que a realidade pode ser o que queremos que ela seja, e depende do que fazemos para que ela se concretize. Tudo isto apenas faz sentido se for feito em conjunto. Um conjunto muito maior do que possamos imaginar e que se estende muito para além da nossa capacidade de entendimento. A física quântica já caminha para a constatação deste fenómeno de unidade, de interligação, interdependência entre a unidade e o todo, só ainda não se descobriu mais coisas porque a sua existência é logo negada no início. Por exemplo, procura-se vida noutros planetas, mas para ser vida tem que ser do mesmo tipo que há na Terra. Então o que estão a procurar é vida semelhante à que há na Terra, nas condições da Terra e no conceito restrito de vida do ponto de vista científico. Mas a vida está muito para além do que a ciência determina, e as formas de vida são múltiplas e inimagináveis. Mas para nos darmos conta disto não precisamos de ser cientistas vanguardistas, pelo contrário. Precisamos de retornar ao nosso estado inocente e simples, humildes, de coração aberto e mente limpa. Se deixarmos uma lâmpada apanhar muito pó, a sua capacidade de iluminar diminui e não nos permite ver muitos pormenores, nem ver muito longe. Não precisamos de uma lâmpada nova, apenas de limpar este pó. E os pormenores que sempre lá estiveram se revelarão e o horizonte que não passava de um palmo será os confins do cosmos.
Paz é muito mais do que gostar de mudar. Paz é a própria mudança. É a renovação de si próprio quando equilibrada. É a sintonia com as leis do universo. Paz é a descoberta que afinal não estamos sós, nem precisamos de uma nova vida para começar de novo. Limpa-se o pó e devolve-se cada um a si próprio.
Paz é a capacidade de se metamorfosear no Ser que sempre sonhou ser.
A continuar…
M.A.S.
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